João Serra
Vera Cortês, Agência de Arte
Avenida 24 de Julho, 54, 1º Esq
Terça a Sexta, 11:00 - 19:00
Sábado, 15:00 - 20:00
2 de Maio a 14 de Junho de 2008


"Nos últimos anos tenho vindo a pensar os subúrbios de Lisboa num sentido extra moral. Quando acreditamos que uma certa fotografia mais não faz do que documentar, subtraímos-lhe muito do seu potencial. Ao isolar, apropriar e descontextualizar pedaços de realidade, a fotografia permite ver outras coisas dentro e fora da própria imagem. [...]"













Entramos, portanto, numa nova era. Entramos oficialmente no futuro, com medidas do passado, e um passado de pesadelo, real ou ficcionado. Isto já aconteceu antes, o Estado asfixiante. Não é novidade. Um dia acordamos e vemo-nos cercados pelos dedos do Governo da Nação, que deixam marcas indeléveis em toda a vida social. Os dedos ocupam-se de tudo — além do habitual e compreensível tal como saúde, justiça e segurança, sobriamente — ocupam-se da planificação global da economia do país, orientam e acarinham negócios privados, introduzem-se nas administrações de empresas, influenciam furtivamente a acção do mercado de capitais, negoceiam directamente com investidores estrangeiros, recuperam empresas falidas. Cruzam-se connosco na esfera privada, dizem-nos o que comer, impõem-nos tecnologias, taxam-nos serviços que não precisamos. Justamente o que tinham prometido: governação socialista. Nós pensávamos que isso já tinha acabado, e achávamos estranho que sectores do partido que sustenta este Governo estivessem insatisfeitos, que ansiassem por mais socialismo, e eu que pensava que estavam equivocados — que mais poderiam desejar? O Estado já se ocupa de tudo, é uma nanny de pêlo na perna.

Sem qualquer dúvida, o actual Governo é socialista. À moda europeia, convenhamos, não de linha dura. Quem esperava um governo liberal enganou-se redondamente. Não há governos liberais na Europa. São todos dirigistas e controladores. A pouca responsabilidade que entregam à sociedade é por necessidade ou obrigação. Por necessidade porque não têm dinheiro para investir, porque têm défices pouco recomendáveis. Caso contrário aí estariam, a comandar por inteiro as economias nacionais. A actual recessão é um momento feliz para estas mentes voluntariosas.

Em Portugal todos estes factores estão ampliados. Porque é um hábito nacional este Estado grande e esponjoso, que além do mais é desejado por larga maioria dos cidadãos. E esta molécula expansiva precisa de controlar tudo para manter a sua integridade. Precisa de limitar a liberdade individual que põe em causa a coesão do colectivo — o colectivo estatal, burocrático, impante. Que necessita sugar tudo à sua volta para se alimentar. Esquecendo-se da função para que foi criado, preocupado com a sua pessoal sobrevivência. E o resultado é uma sociedade infantil. E o horror é a obsessão burocrática — porque mesmo simplificada e de moderna tecnologia o objectivo é sempre aumentar a eficácia do controle. E é este o risco: quando se deseja um Estado nanny, quando se dá tanto poder a um órgão de soberania, leva-se com o pacote todo.

Em alguns países as câmaras de vídeo são omnipresentes no espaço público e a discussão em torno da vigilância é acesa. Em Londres existe uma câmara para cada quatro habitantes. Mas não sabem o melhor. Eu até me rio — rio-me para as câmaras e digo adeus. Em Portugal instalou-se a vanguarda tecnológica e vamos desfrutar o inimaginável: o dispositivo electrónico de matrícula. Tem sigla e tudo: DEM. Um chip instalado em qualquer viatura autorizada a circular em auto-estradas, que identifica e transmite informações sobre o veículo e o condutor, acessíveis a diversas entidades, em diferentes níveis e com possibilidade de cruzamento de dados segundo complicadas e opacas disposições redigidas no Decreto-Lei 612/2008. A instalação é obrigatória e a despesa fica a cargo do cidadão. Qualquer possuidor de automóvel ficará marcado electronicamente. Uma tatuagem digital — um sofisticado fascist touch. Cada vez mais o Estado se torna um inimigo ou uma entidade da qual nos temos de proteger.

O objectivo inicial desta aventura, em 2008, era melhorar a segurança rodoviária e diminuição da sinistralidade. E para o Governo era tudo muito simples: tratava-se “um upgrade tecnológico da matrícula tradicional, permitindo evoluir do sistema de identificação visual de veículos para outro, mais avançado, de detecção e identificação electrónica dos mesmos”. Nada do outro mundo. Quase em anexo previa-se outra utilidade para o chip: o pagamento de portagens e outras taxas rodoviárias. Agora, em Fevereiro de 2009, o grande objectivo é o pagamento de portagens, tudo o resto foi suavizado. Não poderemos, depois de aplicada a lei, pagar portagens da forma que desejarmos. Temos o chip obrigatório em operação, pronto para acumular estas e outras despesas e operacionalidades que aditamentos sucessivos à lei decidirem — porque fabricar leis é a coisa mais simples e a que mais nos dedicamos em Portugal. Esta obrigatoriedade tem um nome: prepotência ou ausência de direito de escolha.

Agora estamos de luto. Como pudemos ser tão descuidados? Não deixámos claro que não queríamos este controlo. Não queremos o Estado metido na nossa cama – mas agora já não falta muito. Mas provavelmente a coisa também funcionará em sentido contrário, e os cidadãos cada vez mais quererão meter-se na cama com o Estado. Abre-se um fluxo imparável. Os cidadãos quererão vingança, quererão escapar a este assédio e arranjarão formas escapar ao cerco que se vai cerrando cada vez mais à sua volta – vão gostar do sabor do sangue. E não vão querer pagar para serem comidos. Irão preferir comer.

[Cinicamente o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações anuncia numa nota de imprensa: “O DEM é um projecto inovador com impactos positivos na modernização e competitividade da economia portuguesa: vem dinamizar o sector da telemática e criar simultaneamente uma oportunidade de negócio para as empresas na área das novas tecnologias na ordem dos 150 milhões de euros”. Deveremos agradecer?]

Podemos sempre continuar a reclamar:

www.presidencia.pt (Escreva ao Presidente)
www.ps.parlamento.pt (Contacte-nos)
www.portugal.gov.pt (Contacte o Governo)
gseaopc@moptc.gov.pt (Secretário de Estado Adjunto,
das Obras Públicas e das Comunicações: Paulo Campos)





A primeira finalidade dos aparelhos de mistura era tornar ininteligíveis as mensagens, sem código de mistura. Um outro emprego dos misturadores de discurso poderia ser impor o controlo do pensamento à escala das massas. Consideremos o corpo humano e o sistema nervoso como aparelhos de reconstituição. Um vírus tão comum como o da constipação poderia sensibilizar o sujeito e torná-lo capaz de reconstituir mensagens. Algumas drogas, tais como o LSD e Dim-N, poderiam também servir de meios de reconstituição. Aliás, os mass media poderiam sensibilizar milhões de pessoas a receberem versões misturadas da mesma série de dados. Lembremos que quando o sistema nervoso do homem reconstitui uma mensagem misturada, esta mensagem apresenta-se ao sujeito como ideias próprias suas que acabaram de lhe ocorrer, o que de facto aconteceu.

Tire-se uma carta da manga. Na maioria dos casos, não haverá suspeitas acerca da sua origem. Pelo menos é o que acontece com o leitor comum de jornais que recebe a mensagem misturada sem juízo crítico e pressupõe que esta reflecte as suas próprias opiniões independentemente formadas. Em contrapartida, o sujeito pode reconhecer ou suspeitar da origem exterior das vozes que literalmente irrompem do seu cérebro. Temos então a síndroma clássica da psicose paranóica. Uma pessoa ouve vozes. Podemos fazer ouvir vozes a quem quer que seja com técnicas de mistura. Não é difícil expor uma pessoa à mensagem realmente misturada podendo nós tornar inteligível uma qualquer parte dela. Podemos fazê-lo através de gravadores nas ruas ou nos carros, rádios e televisões manipuladas... se possível no seu próprio apartamento, senão num bar ou restaurante que ele frequente. Se não fala já sozinho, em breve o fará. Coloquemos o seu apartamento sob escuta. E agora é mesmo altura de ele ouvir a própria voz nas emissões de rádio e de TV e nas conversas dos estranhos que passam. Fácil como tudo, não é verdade? Não esqueçamos que a mensagem misturada é parcialmente ininteligível e que em qualquer caso ele lhe capta o tom. Vozes hostis de brancos reconstituídas por um negro trazer-lhe-ão à mente, também por associação, todas as ocasiões em que foi ameaçado ou humilhado por brancos. Indo um pouco mais longe, podemos utilizar gravações de vozes que ele conhece. Podemos voltá-lo contra os seus amigos por meio de mensagens hostis misturadas através da voz de um amigo. Isso trazer-lhe-á à mente todos os desentendimentos com esse amigo. Podemos condicioná-lo a amar os seus inimigos utilizando mensagens amigáveis misturadas pronunciadas por vozes inimigas.


William Burroughs, A revolução electrónica, 1971
Tradução de Maria Leonor Teles e José Augusto Mourão, Vega, 1994















































Catarina Leitão
"Thicket"

A exposição "Thicket" inaugurou a galeria Number 35, Nova Iorque, em Outubro de 2007. A natureza entra em parafuso, revolta-se e alastra pelos objectos fabricados pelos humanos e corrói a civilização. A natureza entra na cidade. Os homens urbanos afligem-se. Têm de se defender da cidade e da natureza. Correm e voam, infatigáveis, invadidos de seiva — verde ou negra — vestindo robustas e bem apetrechadas roupas de guerrilha. Os tentáculos tubulares estão cheios de vida e têm visão estroboscópica. Nada lhes escapa. Estão em alta rotação. A fusão é extrema. Pássaro-folha-homem-seiva-lixo.

Number 35 39 Essex Street New York


Últimas exposições individuais — "Flatland", Galeria Pedro Cera, Lisboa, Portugal, 2009. (January 10 – February 21) "Thicket", Number 35 gallery, New York, 2007. "The Characters the Objects and the Landscapes", Galeria Pedro Cera, Lisboa, Portugal, 2006. "Natural Selection", Project Room at Michael Steinberg Fine Art, New York, 2005. "Drawings", Galeria Pedro Cera, Lisboa, Portugal, 2004. Catarina Leitão / Matthew Ronay, "2 person show", Andrea Rosen Gallery 2, New York, 2002-2003.

Prémios e residências — 2007, The Center for Book Arts Residency, New York. 2006, Triangle Residency Program, Brooklyn, New York. 2005, The Marie Walsh Sharpe Art Foundation, The Space Program, New York. 2003, Lower Manhattan Cultural Council, Residency at the Woolworth Building, New York. 2002, The Pollock-Krasner Foundation Grant. 1997-99, Fundação Calouste Gulbenkian and Fundação Luso-Americana Fellowship. 1996, AIM Artists in The Market Place, Bronx Museum of the Arts.

















Era raro vê-la. Era difícil tirá-la de casa. A sua imagem exposta nos meios de comunicação de massas era um logro. Mas era profissional. Nada transparecia. Uma cara impecável. Apesar de se notar alguma tensão nos músculos do pescoço, particularmente quando falava. Era o esforço de articulação das palavras. Mas aguentava-se, era uma questão de sobrevivência, não existia para lá do visível.

Quando se levantava não comia. Normalmente pegava na garrafa de gin e bebia enquanto assistia aos programas da manhã na televisão. Passado pouco tempo já se ria. Ria com prazer e sentia-se elegante, em cima do sofá, de joelhos, com as pernas de lado. Depois adormeceria de novo. Mas esta tarde não podia dormir: tinha filmagens. Abandonou a garrafa.

Era uma trabalheira: horas fechada num estúdio que teriam como resultado dez segundos de exposição. A altura em que ela sorria e dizia qualquer coisa que rapidamente esqueceria. Marta vivia para estes segundos, destes segundos. Estes segundos tinham-lhe moldado a vida. A princípio era mais tempo e pagavam-lhe menos. Mas agora ela era a cara, e isso tinha muito valor. Depois de recusas, seguidas de atribuladas negociações e uma breve depressão, conseguira o contrato actual, régio, e que lhe exigia a máxima exclusividade. Não podia fazer mais nada, mesmo as aparições públicas eram doseadas. De resto era-lhe pedido o rosto, o sorriso esgaçado e o nome. Já não precisava de actuar, só aparecia.

Nessa noite foi levada pela equipa de filmagens, para um restaurante. Não tinha fome. Pediu uma túlipa. Ria e falava, com o sorriso pendurado, derretido. Soltava frases inteligentes ou enigmáticas. As túlipas seguiam em linha recta. A cerveja exibia um dourado triunfal.

Mais tarde, na discoteca, Marta estava animadíssima. Já não precisava de beber mais. Poisou na pista de dança, entre claros e escuros que as luzes compunham, e sentiu a música. O ritmo cortado. O baixo a ressoar no coração, atravessando-lhe o corpo, espalhando-se pela sala, vibrando. O corpo perto de uma explosão, veias, músculos estalavam e até o vestido prateado que tocava nos joelhos era percorrido pelos graves violentos que saíam pelas colunas. E dançou. Dançou sem se lembrar que a seguir ainda tinha de ir para casa.

No dia seguinte levantou-se à hora do costume. Arrastou-se para o sofá e acendeu a televisão. Antes do meio-dia já tinha despejado a garrafa de gin e estava caída de costas. Ocasionalmente largava umas gargalhadas.


Django













Acho este Papa interessante. É um intelectual, tem um discurso que não é ligeiro nem facilitista, que lhe tem trazido problemas porque o público que recebe a sua teorização não está preparado para descodificar a sua complexidade — estou a referir-me à comunicação social e associados comentadores, a habituais-activos-do-contra, apressados a responder, porque o grosso da massa católica não tem sentido crítico. É um Papa realista que afirma que a Igreja Católica nunca mais recuperará o lugar que já ocupou e que a sua trajectória é descendente. É o custo da pureza doutrinária e da recusa do estrelato. O Papa não quer ser star e recusa-se a integrar o star system. É chique e usa um sotaque requintado porque tudo isto faz parte da tradição. E o Papa gosta muito da tradição.

Tentando manter a tradição intocada inventou agora a tese da ecologia humana, muito rebuscada, utilizando termos exóticos como gender — mas não querendo referir-se a questões transgender — o Papa não sabe o que isso é. O Papa anseia proteger as criações de Deus. Também se preocupa com a Natureza e as chuvas ácidas — porque teme que lhe estraguem os sapatos. Mas não se pode confundir Natureza com Deus. A Natureza não é uma entidade, é simplesmente uma criação de Deus. Tal como o Homem. E o Homem não pode ter ideias esquisitas, emancipadoras e dedicar-se a actividades para as quais não foi programado. É esta a luta de Bento XVI: a integridade da criação de Deus, que tem tendência para o desvio, para se deixar influenciar pelo próximo ou por uma qualquer inaceitável natureza própria, para fazer coisas esquisitas com o seu corpo — como introduzir pénis em sítios que não lembra a ninguém, ou piercings, ou alterar o código genético de algumas células. Este Papa é um cromo.

Por outro lado detesto este Papa. Detesto qualquer Papa e a Igreja Católica. Padecem de alguma doença — porque vêm inocular esta doença na humanidade? Esta organização do ramo propagandístico tem agentes infiltrados em todas as áreas do globo com o intuito de alterar consciências e estados de espírito. O seu negócio é a contaminação de mentes com ideias perigosas à vida, tentando que os seres humanos se comportem como se comportavam há dois mil anos ou segundo as regras inventadas pela própria organização há mil anos, na Idade das Trevas. A mensagem, transmitida por meios pirotécnicos e complicadas encenações, é insalubre, contrária à alegria e pudica. E discriminatória.

O Papa não veste Prada. O que é uma pena. Veste outras chiquezas. O Papa mais artificial de todos os Papas — espécie de boneca virtual de chapéu vermelho Vivienne Westwood, vestido branco que lhe tapa todo o corpo — nem o pescoço deixa visível — apertado por pequenos botões, pesponto minimalista, acompanhado de microcapa, terminando nos célebres sapatos vermelhos — este Papa, que dirige um bando de eunucos que não se casam nem têm sexo e são igualmente deslumbrados por vestidos e rendas, atira-nos à cara com uma nova face da eugenia — a pureza da raça, a pureza do sexo, tal como descrito nas sagradas escrituras, ou não. Eugenia bíblica. É racista e segregacionista — porque somos todos sagrados. Por princípio. E o Cristo é nosso amigo. Tem o Papa toda a conveniência em indispor e insultar a massa humana, achando-a artificial, pecaminosa e autodestrutiva. E tenho eu toda a necessidade de o maltratar. Eu — fingido, postiço, falso.







Quem disse? Quem sabe? Extraordinário! Chocante!
A insegurança e o medo habitam a Europa. Prevalece o ambiente pessimista, algo melancólico até. O projecto europeu tem vindo a estiolar — e a perder força — porque os cidadãos europeus estão cada vez mais distantes dos seus dirigentes. Dirigentes ousados, corajosos e lúcidos, precisam-se. A desunião europeia não é nova. Mas diz tanto sobre a ‘democracia’ como acerca dos povos que a exercem. Os europeus não podem ser tratados como o velho Mao Tse-Tung tratava os chineses: como carne para canhão. Por toda esta Europa está a sentir-se um frémito de explosão social de camadas populares que já não suportam mais as insuficiências de políticas sociais ou os infortúnios de uma asfixiante crise económica. A globalização e a doutrina que a sustenta, o neoliberalismo, tem aumentado os problemas da miséria, da fome, do desemprego nas nações onde tem sido aplicada. Vão surgir novas formas de protesto social desconhecidas no século XX. A vulnerabilidade do Estado será visível em muitas delas. Fazer parar o país e colocá-lo à beira da fome, afinal, é fácil e, manifestamente, o Governo não sabe muito bem como impedi-lo. A política da globalização, tão apregoada como o supremo benefício da humanidade, abriu fossos abismais entre os mais ricos e os mais pobres: estes, tocam as raias da miséria; aqueles, uma existência sumptuariamente escandalosa. Criou-se um clima de maledicência geral que afunda o estado real do país e o clima social da sua população. Quanto mais se fizer passar a ideia de que o país está no charco, melhor. Esta democracia não está a ser a democracia da liberdade de opinião na procura do melhor ‘bem colectivo’ possível. Está a ser a democracia dos interesses. Portugal e os portugueses nunca foram tão pobres em democracia como na actualidade. Oh, se ao menos eu pudesse ter uma vida de sensações em vez de uma vida de pensamentos.


[Fonte indirecta: jornal Público em Junho e Julho de 2008]


































































André Guedes, André Sousa, Gustavo Sumpta,
Renato Ferrão, Tânia Bandeira Duarte
"A situação está tensa mas sob controlo"
Curadoria: Bruno Marques e Marta Mestre
Arte Contempo
Rua dos Navegantes, 46 A, Lisboa
Quinta a Sábado, 14:30 - 19:30
3 a 31 de Maio de 2008


"André Guedes, apresenta quatro publicações que catalogam as obras dos restantes artistas e propõe uma reflexão sobre a tradução de uma efeméride para um suporte acrónico, de forma a questionar o efeito de alteridade e de desmultiplicação da mesma, através do diferimento de critérios editoriais. André Sousa questiona o sentido impositivo da arquitectura para promover uma relação tensional com o visitante, no espaço da galeria. Auspicia em simultâneo a sensação de coabitação negocial com os restantes trabalhos da exposição. Gustavo Sumpta trabalha a distribuição física do peso, a instabilidade de corpos no espaço, ao mesmo tempo que acusa o estatuto performático dos intervenientes, ou seja, a possibilidade de pura e simplesmente qualquer coisa acontecer despoletada por uma acção que não parte do espectador. Renato Ferrão instala um conjunto de kits de mobiliário graviticamente em desacordo, montados ao alto numa teia de (des)equilíbrios. Este gesto serve-lhe ainda para contrariar os conteúdos de mensagens que vendem um sentido prático dos objectos do quotidiano. Tânia Bandeira Duarte, com uma composição de objectos do quotidiano pautada por uma forte componente temporal e modular, explora o contínuo ilusório através de premissas conceptuais como a alteração, a mudança, a recombinação, a justaposição."


André Guedes: 1, 2, 6, 7, 8
André Sousa: 3, 4, 10, 11, 12
Gustavo Sumpta: 4, 5
Renato Ferrão: 13, 14, 15
Tânia Bandeira Duarte: 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12