André Guedes
"Informações/Information"
Chiado 8, Arte Contemporânea
Largo do Chiado, nº 8
Segunda a Sexta, 12:00 - 20:00
31 de Outubro de 2007 a 4 de Janeiro de 2008






"A actividade social chamada comércio, por mal vista que esteja pelos teoristas de sociedades impossíveis, é contudo um dos dois característicos distintivos das sociedades chamadas civilizadas. O outro característico distintivo é o que se denomina cultura. Entre o comércio e a cultura houve sempre uma relação íntima, ainda não bem explicada, mas observada por muitos. É, com efeito, notável que as sociedades que mais proeminentemente se destacaram na criação de valores culturais são as que proeminentemente se destacaram no exercício assíduo do comércio. Comercial, eminentemente comercial, foi Atenas. Comercial, eminentemente comercial, foi Florença."

Fernando Pessoa, “A evolução do comércio”, in Revista de Comércio e Contabilidade, nº3, Março de 1926








Calouste Sarkis Gulbenkian. O petróleo. O Iraque. O dinheiro. A Arménia. A Turquia. A Segunda Guerra Mundial. A cultura. A Fundação Calouste Gulbenkian. Tem tudo a ver com o século XX e tem tudo a ver com o século XXI. Enquanto houver petróleo, enquanto houver cultura. Enquanto houver civilização, enquanto houver Iraque, sei lá. Retrato de Charles Joseph Watelet, 1921, caricatura de André Carrilho, 2005.









































Catarina Dias
"Resto"
Vera Cortês, Agência de Arte
Avenida 24 de Julho, 54, 1º Esq
Terça a Sexta, 11:00 - 19:00; Sábado, 15:00 - 20:00
10 de Novembro a 22 de Dezembro de 2007





"In recent years, globalization has been widely critiqued for promoting unfair labor practices and destroying local identities, values and environments.
At the same time, international artists, curators and gallerists are pursuing innovative practices that both celebrate the possibilities of global production and subvert assumptions that, despite the best advances in modern media, the world can be understood from an absolute or universally shared perspective. Globalization, strangely, has been a tremendous catalyst in showing us just how diverse and varying human sensibilities and values can be. While the 21st century confronts us with unprecedented moral, ethical and cultural dilemmas, it is also proving, in its early stages, to be intensely stimulating as old conventions give way to unique points of view. Indeed, nowhere has this been more evident than in the world of art, where the past decade alone has seen tremendous change."

Elaine W. Ng, ArtAsiaPacific, nº 55, Setembro/Outubro 2007



O quadro
por Guidinha*


Surpresa! Comprámos o quadro! Não era o que queriam? Agora já é nosso, já é do Estado, de todos nós portanto. Arranjou-se um dinheirito que tinha ficado do seguro das jóias da coroa roubadas aqui há uns anos. Mas todos exigiam esta compra, todos uns mãos largas, da esquerda à direita, de cima a baixo. O património nacional ficaria gravemente esburacado, seria indecoroso deixar o quadro fugir. Ou deixá-lo na mão de privados, que são uns egoístas. Na leiloeira ainda tiveram pena, podiam ter ganho mais dinheiro se houvesse licitação e inflação do preço.

E agora o quadrucho lá vai para o Museu de Arte Antiga, montam-lhe um altar e pode-se dizer aos turistas que temos mais um Tiepolo, ao lado de outro Tiepolo que já lá estava. Um casalinho. Uma “Fuga” e uma “Deposição”. Os visitantes do museu vão passar pelas obras, vão dizer “ah!”, e vão seguir em frente. E ficamos todos mais felizes, a pensar que vivemos num país como deve de ser. E fica mais feliz o vendedor do quadro, que já pode fazer mais umas viagens ou comprar outra porcaria qualquer, mais barata.

E a Ministra da Cultura pode deixar de fazer aquele ar comprometido, aqueles olhinhos de cão triste que ostenta cada vez que lhe exigem mais dinheiro que ela sabe que não tem e não pode dar. Confesso que tenho pena dela. Qualquer membro activo da elite cultural portuguesa, quando olha para a Ministra, só vê cifrões. Ou símbolos do euro. Não é coisa que se faça a uma pessoa. Tem a minha solidariedade. E declaro: senhora Ministra da Cultura: não quero o seu dinheiro.

Pós-comentário: verifico que a minha solidariedade não vale nada. A Ministra foi sacrificada numa operação de relações públicas. Que vá em paz.

*Mestre em Aspectos Urbanos














































Anteciparte IV
Uma selecção da mais jovem expressão artística nacional
O Anteciparte é uma iniciativa Propulsarte/Millenium bcp
Museu de História Natural, Lisboa
8 a 18 de Novembro de 2007


Fotografias da inauguração e de páginas do catálogo por Nuno Marques Mendes. Destacam-se Rita GT que destroi qualquer museu (três últimas fotografias) e Ricardo Leandro & César Engström (duas fotografias anteriores) com "Synchronize", vídeo coreográfico-musical.











Balmain
por Django


Saía para o terreiro em frente, um baldio, vasto, espaçoso, apetecível, vestindo o clássico roupão branco Armani, óculos Cartier, com um Virginia Slims aceso. Andava inchado, soltava umas fumaças. Chegado a meio do terreiro atirava-se, de costas, esfregava-se no chão, resfolegava.

Balmain era o missing link entre a discoteca His Master's Voice e o bando de patifes que tinham tentado rebentar o Hotel Estoril Sol. Contamos descobrir porquê. Não era, de todo, o paciente típico do Dr. Gloss. Tenho até dúvidas de que alguma vez o tenha consultado. Não era uma pessoa complicada. Gostava de levantar pó. Talvez fosse um dos financiadores das actividades político-literárias de Rodrigo de Almeida. Um dos contribuidores do fundo monetário internacional que o Rodrigo geria, um misto de dinheiros privados e familiares, uma parte do qual garantia a sobrevivência do seu irmão renegado e outra deveria ser aplicada em acções subversivas.

Kaytlin Kennedy, avistamo-la agora, a um canto do terreiro, sentada numa pedra. De mini-saia, óculos de sol brancos, quadrados, fumava cigarros não sei de que marca. Olhava para Balmain, indiferente. Que agora gargalhava, com os dentes cerrados, o cigarro entalado entre os dentes, gordinho, a esfregar-se na terra. Très amusant.